Quando Setembro Vier
E pensar que tem brasileiros que litigam na Justiça e que são tão mal agradecidos porque seus processos tramitam ano após ano nos fóruns e tribunais, na espera da devida prestação jurisdicional, que ousam criticar o Sistema Judiciário por ser moroso — no entanto, esquecem de dizer que são simples mortais e, por isso, não têm foro privilegiado.
É verdade. Pois se tivessem o dito e famigerado foro, suas demandas seriam julgadas num piscar de olhos — principalmente se tivessem participado do “golpe” de 8 de janeiro ou fossem inimigos do Luiz Ignácio, ou ainda, malquistos pelos vestais do STF. Daí sim, esses inconformados sentiriam na pele o quão rápido seria o talho na cabeça pela espada de Dâmocles.
Aliás, a bem da verdade, só da era do petismo para cá que o STF tem sido célere nos julgamentos que interessam. Antes não era assim.
Lembro de um episódio ocorrido no auditório do TRE do Paraná, quando eu assistia à solenidade de posse de seu novo Presidente. Na mesa principal da cerimônia estava o Toffoli, então Presidente do TSE. Quando o Presidente da seccional da OAB fez uso da palavra, mencionou as inúmeras reclamações de advogados sobre a morosidade do STF na solução de processos parados naquela instância.
Toffoli, de nariz empinado e avermelhado (aparentando rubor etílico), interrompeu o orador para contestar a afirmação, dizendo que os serviços do STF estavam rigorosamente em dia e dentro dos prazos processuais.
Um ato de bazófia.
Pois, na semana seguinte, a imprensa nacional noticiou que o STF acabara de julgar um processo que tramitava naquela Corte desde o tempo do Império.
Triste realidade.
Mas atualmente tudo mudou, como já explicado. Lembram quando o Luiz Ignácio ainda era réu e depois ficou preso? Seus advogados interpuseram dezenas de recursos várias vezes ao dia, todos diretamente ao STF — e foram decididos na hora, ou no máximo no dia seguinte.
Num deles (um HC), o Fachin — não muito letrado em Direito Penal e Processual Penal — acabou por anular a condenação de seu chefe.
E agora? Por incrível que pareça, o Zanin (ex-advogado do principal inimigo do Bolsonaro), a pedido do Xandão (por coincidência, outro inimigo mortal do Bolsonaro), pautou a data de julgamento dos “golpistas” (dentre estes, o próprio Bolsonaro) para o próximo dia 2 de setembro.
Tudo num vapt-vupt. Bem rápido, como afirmou o Toffoli.
E o julgamento, com participações de inimigos do réu e de seus amigos, será transmitido pela TV Justiça como espetáculo ao grande público — um exemplo de como se condenarão homens que já estão condenados.
Ou alguém duvida disso?
A questão será: qual a reação dos patriotas — e do Trump — logo após a decisão?
Portanto, quando setembro vier, haverá muitas possibilidades no ar, difíceis até para a Mãe Diná (lá do além) adivinhar o que vai acontecer…
“Será um julgamento ou uma sessão com enredo de uma chanchada da Atlântida? Em um jogo de cartas, quando o baralho está marcado, só os jogadores que não sabem do ardil acreditam que possam ganhar. Quando setembro vier, a esperança é que os prognósticos sofram os efeitos da kryptonita.”
