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Set16

Antonina de minha infância

Categorias // Flagrantes do mundo jurídico - Por Édison Vidal Lidos 850

Uma das primeiras cidades do Paraná e que teve o seu principal porto, a tradicional cidade de Antonina, é um paraíso para os olhos com seus casarios centenários, o relevo de seus morros e a brisa sempre quente vinda do mar. Nela o conde Matarazzo com sua visão de empreendedor construiu um atracadouro e armazéns para depositar as mercadorias de suas empresas de São Paulo, casa do administrador e tudo no melhor estilo europeu da época.

Quem nunca foi de trem não sabe avaliar o que representava a chegada da composição ferroviária puxada pela velha Maria Fumaça e seu vagão de lenha e carvão, apitando várias vezes para anunciar a sua chegada e chamar os curiosos para a plataforma da estação na esperança de poderem encontrar um parente ou conhecido vindo da Capital. Todas as casas tinham portas que davam para a rua e que sempre ficavam abertas, mesmo a noite para ventilar, pois não existia ladrão nem quem ousa-se entrar sem convidado:

- Óh, de casa! - gritava o visitante na porta escancarada da casa.

- Entre meu amigo, entre que a casa é sua. - respondia o proprietário.

Diz a lenda que o “capelista” não gostava de atender visitas que chegavam na hora do almoço para não repartir a comida, por isto na mesa de refeições tinham gavetas que eram usadas para os moradores esconderem o prato e assim enganar o visitante. Claro que isto não passa de folclore, mas garanto que lembro das gavetas na mesa de refeições na casa de meu avô Gustavo Vidal Pinto. Meu avô paterno de origem portuguesa era da Marinha Mercante quando se radicou na cidade e depois de casar com minha avó Hanna Maria (morretense), tiveram dois filhos o Benedito (que faleceu jovem com vinte anos de idade) e meu saudoso pai Bernardo Vidal Pinto, que perdeu a mãe no trabalho de parto. Meu avô voltou para o mar e meu pai foi criado por um “padrinho” na cidade de Mafra - SC.

O reencontro de meu pai com meu avô ocorreu quando ele tinha quinze anos de idade e o meu avô resolveu morar definitivamente na cidade. Lembro muito bem quando meus pais saiam de Curitiba com minha irmã e eu para visitar meu avô em Antonina, a viagem era de trem e foram momentos preciosos de minha existência quando na chegada do trem na estação o meu avô me agarrava nos braços e me tirava da janela do vagão dando um abraço tão apertado que chegava a tirar o meu fôlego. Lembro destes braços como sendo uma relíquia que guardo na memória. A casa de meu avô era de material e ficava atrás da Igreja de São Benedito, a rua era de areia branca e conchinhas, bem larga, com um pequeno parque público na esquina onde tinha brinquedos para as crianças.

Vovô então era funcionário da Prefeitura e o fiscal do mercado, local que eu mais gostava de ir para comer bolinho de camarão e bolinho de banana da terra.
No local. Tinha um trapiche de madeira que adentrava pela baía de Antonina, com suas águas tranquilas e dezenas de canoas de pescadores que chegavam para vender tudo o que o mar ofertava: peixe, camarão, caranguejo, siri, ostra, além de frutas que eram colhidas em suas propriedades nas ilhas mais próximas. Carambola, mimosa, laranja lima, jabuticaba, banana de todos os tipos, mel, melado e rapadura.

O comércio era intenso. Era gostoso ouvir de manhã bem cedo o “toc”, “toc”, “toc” dos tamancos usados pelos pescadores quando percorriam as ruas de paralelepípedo, levando cestos de frutos do mar para venderem aos seus fregueses. Depois que eles passavam a calma e o silêncio voltava a reinar. E não faltava escalar o “Morro do Bom Brinquedo” para depois tomar água gelada que saia da bica “da Santa”. E tinham três passeios obrigatórios: rezar no Santuário de Nossa Senhora do Pilar, padroeira da cidade, percorrer o bairro da Graciosa para sentir o frescor do vento que varria a região mais alta do lugar e visitar a Ponta da Pita, um lugar paradisíaco pelo cenário de toda a baía e que dá para enxergar ao longe o movimento dos navios no Porto de Paranaguá.

Ah, que bela cidade é a pacata e bucólica Antonina -, berço da civilização paranaense e de gente boa e trabalhadora. Tem a bandinha lírica que se apresenta nos momentos mais importantes e cívicos da cidade; e tem o tradicional bloco dos Apinajés que desfila imponente no carnaval mais animado do nosso estado. Vale a pena descer um final de semana, comer deliciosos frutos do mar, um típico barreado e desfrutar das belezas naturais do nosso litoral.

Li há poucos dias que até o trem está percorrendo os trilhos entre Morretes e Antonina, saindo da estação rodoferroviária de Curitiba. Vale a pena descer para Antonina; minha saudade é tanta que fecho os olhos e chego a sentir o abraço amado do meu inesquecível avô, antes do trem parar na estação ... 

“Tem imagens da infância que ninguém esquece, não importa quanto tempo passou, pois ela fica viva na memória. No outono da vida é sempre bom lembrar dos momentos que são nossos, exclusivamente nossos, para compartilhar com quem mais gostamos.” 

Edson Vidal Pinto

 

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